un manque réel de tissu
pour habiller les nymphes
un besoin entrelacé
de ses contraires
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
e se o sismo apenas te poupar as mãos
quando o mundo todo se deita na terra
e se tudo for pó e regresso sem volta
ficando tu em pé à espera do pão
da água do café da confusão matinal do
metro da glória daquela manhã na
janela do 5º andar e as cortinas que
roçavam os vidros e as mãos que
eram mais do que as minhas e as utopias e
o barulho dos vizinhos e o telefone que
não toca porque conversávamos no
ano da graça de 1755
ou 1969 ou talvez
um pouco mais
quando o mundo todo se deita na terra
e se tudo for pó e regresso sem volta
ficando tu em pé à espera do pão
da água do café da confusão matinal do
metro da glória daquela manhã na
janela do 5º andar e as cortinas que
roçavam os vidros e as mãos que
eram mais do que as minhas e as utopias e
o barulho dos vizinhos e o telefone que
não toca porque conversávamos no
ano da graça de 1755
ou 1969 ou talvez
um pouco mais
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Carta a Mariana Alcoforado
Mariana,
tenho estado em Beja
os campos continuam imensos
tão vazios que quem por lá passa
torna-se belo
o convento ainda tem todos os cadeados
mas todas as portas se abrem e ninguém estranha
que haja vento e que as folhas mudem todos os dias de lugar
tenho estado em Beja,
Mariana
e não há, não se encontra, irmã
um canto inteiro e fechado de mágoa e amor
uma só janela e apenas um sol
as tuas paredes são agora espelhos, Mariana
pedaços tão pequenos que não deixam a alma espreitar
e a tinta e o papel, os teus tesouros, bem o sei!
deixaram-nos secar e morrer
lá longe
Mariana,
deixo Beja amanhã
tenho estado em Beja
os campos continuam imensos
tão vazios que quem por lá passa
torna-se belo
o convento ainda tem todos os cadeados
mas todas as portas se abrem e ninguém estranha
que haja vento e que as folhas mudem todos os dias de lugar
tenho estado em Beja,
Mariana
e não há, não se encontra, irmã
um canto inteiro e fechado de mágoa e amor
uma só janela e apenas um sol
as tuas paredes são agora espelhos, Mariana
pedaços tão pequenos que não deixam a alma espreitar
e a tinta e o papel, os teus tesouros, bem o sei!
deixaram-nos secar e morrer
lá longe
Mariana,
deixo Beja amanhã
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
domingo, 9 de janeiro de 2011
sem-título
antes do nome
passou pelas bocas
a mesma sombra de fome
que nenhum pedaço de pão pôde saciar
passou pelas bocas
a mesma sombra de fome
que nenhum pedaço de pão pôde saciar
sábado, 8 de janeiro de 2011
l'empire
dis-moi comment tu t'appelles
même si cela n'a aucune importance
-Samba!
joli prénom
on te fera certainement danser
même si cela n'a aucune importance
-Samba!
joli prénom
on te fera certainement danser
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
Malangatana
os filhos da Matalana
são belos como o tempo
as filhas da Matalana
são belas como a chuva
e esse calor quieto
e esse peito tão grande
é belo como se houvesse
comparação
sentados debaixo dos cajueiros
ouvimos o passado sem fim
como tu o sabias
são belos como o tempo
as filhas da Matalana
são belas como a chuva
e esse calor quieto
e esse peito tão grande
é belo como se houvesse
comparação
sentados debaixo dos cajueiros
ouvimos o passado sem fim
como tu o sabias
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
a porta dá sempre para o lado de lá
para dentro de um lugar infinito
onde não mora ninguém
sim, mas, que faremos com o carteiro?
esqueçamos a porta
e a morada
o céu?
que tem ele?
sei que o lado da maçaneta coincide
com o sentido do vento
e que tenho as mãos rasgadas
de a rodar
a porta dá sempre para o lado de cá
para dentro de um lugar infinito
onde não mora ninguém
sim, mas, que faremos com o carteiro?
esqueçamos a porta
e a morada
o céu?
que tem ele?
sei que o lado da maçaneta coincide
com o sentido do vento
e que tenho as mãos rasgadas
de a rodar
a porta dá sempre para o lado de cá
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
domingo, 2 de janeiro de 2011
éros et la femme
cet enfant qui te perce
ne t'a pas vue
il est toujours distrait
il ne voit que ta blessure
il s'en réjouit longuement
ne t'a pas vue
il est toujours distrait
il ne voit que ta blessure
il s'en réjouit longuement
sábado, 1 de janeiro de 2011
ex-voto
esqueci-me dos rituais
e o tempo passou
como é seu hábito
haverá ainda uvas amanhã?
guardo o champanhe para um dia qualquer
e um dia qualquer é um dia novo
e se estiveres nesse dia
o dia será novo
e nosso
e o tempo passou
como é seu hábito
haverá ainda uvas amanhã?
guardo o champanhe para um dia qualquer
e um dia qualquer é um dia novo
e se estiveres nesse dia
o dia será novo
e nosso
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
tormenta
aucune différence maintenant
entre le jour et la nuit
Baltasar e Blimunda desconhecem-se
donne-moi une cigarette
et laisse ta main trembler
entre le jour et la nuit
Baltasar e Blimunda desconhecem-se
donne-moi une cigarette
et laisse ta main trembler
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
domingo, 26 de dezembro de 2010
sábado, 25 de dezembro de 2010
sustento
do pão que dorme há vinte e cinco anos
envolto em cuidados e memórias
nasce a sombra que protege
e a água de que brotam
as espigas futuras
envolto em cuidados e memórias
nasce a sombra que protege
e a água de que brotam
as espigas futuras
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Votos para Quadra*
dado que a quadra tem apenas quatro versos
e que já gastei dois (como voam os dias, todos os deuses!) irregularmente
resta-me apenas agora desejar-te
sem nada acrescentar
*eu sei que leram "natalícia"
mas há mais do que um nascimento
e que já gastei dois (como voam os dias, todos os deuses!) irregularmente
resta-me apenas agora desejar-te
sem nada acrescentar
*eu sei que leram "natalícia"
mas há mais do que um nascimento
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
vogar
digo-te
se te dissesse
que não consigo andar por versos
como prados e nem os prados consentiriam
pés sujos de tinta que não seja sangue vivo
de tanto andar e nada encontrar
eu também não consinto
que se suje a terra
com a boca
sou do mar
se te dissesse
que não consigo andar por versos
como prados e nem os prados consentiriam
pés sujos de tinta que não seja sangue vivo
de tanto andar e nada encontrar
eu também não consinto
que se suje a terra
com a boca
sou do mar
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
sebastiânimo
deste corpo ao anseio de não saber
o que houve contigo?
o que houve contigo foi o mar e o tempo
e uma imensa manhã sempre futura e sempre certa
e a tua resposta que nunca é definitiva e que espera sempre
mais um dia
o que houve contigo?
o que houve contigo foi o mar e o tempo
e uma imensa manhã sempre futura e sempre certa
e a tua resposta que nunca é definitiva e que espera sempre
mais um dia
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
projet de vie
le soir
je déduis les probabilités de trajectoire
pour les oiseaux qui passent
je pense à des noms possibles
pour attacher leur vol à mes doigts
je déduis les probabilités de trajectoire
pour les oiseaux qui passent
je pense à des noms possibles
pour attacher leur vol à mes doigts
domingo, 19 de dezembro de 2010
projet de vie
le matin
je jongle des cailloux et
je fais la comptabilité des pierres
qui ne nuisent aucun passant
les passants ne passent pas
les pierres sont par terre et
les cailloux sont tous
retombés
je jongle des cailloux et
je fais la comptabilité des pierres
qui ne nuisent aucun passant
les passants ne passent pas
les pierres sont par terre et
les cailloux sont tous
retombés
sábado, 18 de dezembro de 2010
foi uma vez
vendeu-se a sombra antiga do Mondego
o verde escuro que se via da janela
em bicos de pés e olhos altos
o merceeiro morreu e levou com ele
o nome do balcão onde as crianças se debruçavam
e pediam sonhos ou rebuçados, que diferença poderia haver?
depois, à tarde, o livro único abria os seus mistérios mais uma vez
e a história voltava a ser toda
nova
o verde escuro que se via da janela
em bicos de pés e olhos altos
o merceeiro morreu e levou com ele
o nome do balcão onde as crianças se debruçavam
e pediam sonhos ou rebuçados, que diferença poderia haver?
depois, à tarde, o livro único abria os seus mistérios mais uma vez
e a história voltava a ser toda
nova
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
7
par nécessité
ou par désordre
les dés que je lance
n'ont qu'une seule face
je gagne toujours
je perds toujours
je me lève de la table de jeu
j'ouvre la porte et je sors
il y a six chemins possibles
je choisis l'autre
ou par désordre
les dés que je lance
n'ont qu'une seule face
je gagne toujours
je perds toujours
je me lève de la table de jeu
j'ouvre la porte et je sors
il y a six chemins possibles
je choisis l'autre
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
destempo
levaste contigo o poema
o pássaro e a voz
o antes já não o é
trago comigo um poema
um pássaro e uma voz
o pássaro e a voz
o antes já não o é
trago comigo um poema
um pássaro e uma voz
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
organito
la nuit est l'eau-forte où je garde
le matinle matin se lève comme le vent,
sentimental
la tarde
cantando tangos
domingo, 12 de dezembro de 2010
Cuvée d'Appellation Partagée
ceci est l'histoire des premiers raisins de l'année
des mains qui les resseraient si fort
du vin qui ne sait pas durer
des mains qui les resseraient si fort
du vin qui ne sait pas durer
sábado, 11 de dezembro de 2010
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
tronco comum
o ramo ainda tremia
do pássaro que lá pousou
tremeu ainda quando o vento
passou a caminho do sul
dentro de um breve momento
será galho e terra redonda
sob os teus pés
do pássaro que lá pousou
tremeu ainda quando o vento
passou a caminho do sul
dentro de um breve momento
será galho e terra redonda
sob os teus pés
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
9 de Dezembro, sem ti*
desfiz as flores
os lírios, lírios,
E rosas também
que me deste
teci delas larvas e botões que reguei
e dos campos onde elas nascem
lavrei sóis que terão noite
apenas na estreia
quando vieres
quando eu for
subiremos nove vezes
nove vezes desceremos
os degraus cobertos de flores, rosas,
e lírios também
e entraremos enfim no palco rangente
de todas as mãos que ali se darão
em cenas de eterno improviso
e algum esquecimento
jogaremos a fingir de sérios
a divina comédia em que és apenas
o meu eterno companheiro no mais belo
engano
e se a eternidade tiver um degrau vazio
é lá que deixo
as flores que me deste, desfeitas, amadas,
nascentes
* Ademar Ferreira dos Santos: 9 de Dezembro de 1952-.
os lírios, lírios,
E rosas também
que me deste
teci delas larvas e botões que reguei
e dos campos onde elas nascem
lavrei sóis que terão noite
apenas na estreia
quando vieres
quando eu for
subiremos nove vezes
nove vezes desceremos
os degraus cobertos de flores, rosas,
e lírios também
e entraremos enfim no palco rangente
de todas as mãos que ali se darão
em cenas de eterno improviso
e algum esquecimento
jogaremos a fingir de sérios
a divina comédia em que és apenas
o meu eterno companheiro no mais belo
engano
e se a eternidade tiver um degrau vazio
é lá que deixo
as flores que me deste, desfeitas, amadas,
nascentes
* Ademar Ferreira dos Santos: 9 de Dezembro de 1952-.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Para a María Alonso Seisdedos
não sei como lês nos dedos das mãos
as letras das canções por cantar
não sei como poderiam as estrelas escapar
do céu que enquadras no desejo
é dessa ode por começar que
celebro contigo hoje esse pedaço de céu
que sete dezembros vêem sempre chegar
seis dedos, sete dezembros e uma vida inteira
as letras das canções por cantar
não sei como poderiam as estrelas escapar
do céu que enquadras no desejo
é dessa ode por começar que
celebro contigo hoje esse pedaço de céu
que sete dezembros vêem sempre chegar
seis dedos, sete dezembros e uma vida inteira
chanson volée*
tu y vas,
tu cours,
tu voles,
plein d'espoir, de claves, de tumbaos, de pregones, de flores,
de toute la musique qui vient jouer sur tes doigts
conquise,
pleine d'espoir, de claves, de tumbaos, de pregones, de flores
de ti,
tu y vas,
tu cours,
tu voles,
la vie!
*merci, EM
tu cours,
tu voles,
plein d'espoir, de claves, de tumbaos, de pregones, de flores,
de toute la musique qui vient jouer sur tes doigts
conquise,
pleine d'espoir, de claves, de tumbaos, de pregones, de flores
de ti,
tu y vas,
tu cours,
tu voles,
la vie!
*merci, EM
domingo, 5 de dezembro de 2010
Bernardo e Alberto
a janela do 4º andar abriu-se
ouviram-se passos corridos
e vozes cantadas
o sol é sempre maior
cá fora
ouviram-se passos corridos
e vozes cantadas
o sol é sempre maior
cá fora
sábado, 4 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Domicile
on te trouvera demain
et ton histoire sera publiée sous
S.D.F.
pseudonyme d'être humain
on ne t'a pas vu hier
on te trouvera demain
on a une place pour toi
on s'occupera de toi demain
tu seras abrité dans la paix des lieux
il y aura du silence, tu dormiras sans peines
ni froid
ni rien
tout l'après-demain
et ton histoire sera publiée sous
S.D.F.
pseudonyme d'être humain
on ne t'a pas vu hier
on te trouvera demain
on a une place pour toi
on s'occupera de toi demain
tu seras abrité dans la paix des lieux
il y aura du silence, tu dormiras sans peines
ni froid
ni rien
tout l'après-demain
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