dobando o fio, contou teseu a façanha
o único golpe,
a amada longa fama futura
dobava devagar, enternecidamente
amando já o temível monstro
que ao morrer o consagrara
e dobando, do labirinto contou:
esquinas afiadas, carnívoras!
sombras vindas do fim do tempo,
ecos de torturas infindáveis,
e finalmente a besta, o medo
e o único golpe,
implacável
dobado já todo o fio,
pousou o novelo refeito
nas mãos crédulas de ariadne
e embarcou sereno no mesmo mar
que nessa noite receberia o fio que ariadne foi deitar
desfê-lo devagar, amorosamente
contando o que sabia da longa dor presente
esquinas afiadas e carnívoras
sombras do fim do tempo
ecos infindáveis
o golpe lento do medo
a partida das negras velas
a partida incessante das negras velas
desfeito já o fio
desunidas as pontas
pôde ariadne embarcar
façanha maior que o mar
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
sábado, 15 de setembro de 2012
15 de Setembro
sairam para dar nome ao tempo
que passa lento e curioso
que gente será esta
que assim sonha?
sexta-feira, 14 de setembro de 2012
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
terça-feira, 11 de setembro de 2012
domingo, 9 de setembro de 2012
les marins sans quart
cela ne tient pas
je te démontre
voici du sable
il s'écoule
il s'en va
voilà,
rien!
c'est simple
je t'ai montré
comment il s'en va
tu le retournes mais
cela ne tiendra pas
car il s'écoule
et il s'en va
et si je le retourne
si de mes mains je le fais
que crois-tu! qu'on tiendra
qu'on ne s'écroulera pas?
regardons-le ensemble
à la fin tu me diras
à la fin je te dirai
si jamais
la vague
interiores
fechou-se sem alaridos num jardim aprazível
tratou das flores e dos espinhos
cuidou que houvesse muito sol
e alguma chuva
paz contente
paz contente
paz contente
aqui e além
uma ou outra vez
um voo supreendente
que bela sombra, o que será?
e antes que a sombra com o sol o dia jogasse
e antes que a álea com o voo a vertigem tomasse
fechou-se sem alaridos numa casa aprazível
e correu as cortinas todas até ao fim
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
a relíquia
raspando um pouco
sai a tinta e vê-se o barro
ambos são autênticos
raspando o barro
vê-se a mão
essa que mata
amando
terça-feira, 4 de setembro de 2012
da necessidade
podendo ser de todas e infinitas maneiras
não pôde ser de nenhuma outra será assim a beleza?
certa é a maneira minha da beleza tua
como certo é o mundo que nela navega
será assim o amor
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
postal ilustrado
as noites em que te chamo o olhar
não têm nome nem data
como sabes
é irrelevante ser domingo
ou estarmos no ano em que fomos
felizes
não têm nome nem data
como sabes
é irrelevante ser domingo
ou estarmos no ano em que fomos
felizes
domingo, 15 de julho de 2012
poema para Campos
o que farão da tua vida mais uma vez assim disposta
dessa maneira gentil de existir sempre tanto
e de não caber em nenhum rosto
a arca abre-se ainda e
a arca abre-se ainda e
no fundo, procurando bem
está o papel de folha de estanho
que embrulhou outrora o chocolate desamparado
também a vejo daqui, a pequena suja,
já acabou de comer o chocolate e alisou o papel de prata
para nele confeita poder escrever :
tenho fome
vou à janela e passo eu.
que embrulhou outrora o chocolate desamparado
também a vejo daqui, a pequena suja,
já acabou de comer o chocolate e alisou o papel de prata
para nele confeita poder escrever :
tenho fome
vou à janela e passo eu.
quinta-feira, 12 de julho de 2012
jangada de papel
deixo-te esta carta para te dizer que nada tenho a dizer que valesse a pena ser dito. as coisas são o que são, a vida é o que é e eu não fujo a esta régua nem a este esquadro, que aliás usava com gosto em criança, sonhando uma vez ou outra com formas mais dúcteis e comestíveis. não vou abrir aqui nenhum baú porque não tenho baús, já esqueci quase tudo o que não valia a pena lembrar e pouco vale a pena lembrar, talvez só aquela vez em que a mão me escapou e do ângulo imperfeito do esquadro me saiu um pássaro que voou imensamente assustado e tremendamente maravilhado por cima das nossas cabeças. da tua e da minha, já não era eu muito criança, nem tu, e ele era novo e verde e laranja. mas sabes, a vantagem do esquadro é que ele não deixa fugir por muito tempo a mão dos noventa graus que estão sempre certos, desde que a mão não saia do ponto da verdade. a desvantagem, dirias tu, se eu te ouvisse em mim, é que o infinito começa nesses noventa graus, mas eu não te ouço, tens sorte. deixemos de lado este esquadro, antes que te lembres dos cento e oitenta graus da utopia amorosa, sigo naquilo que tenho para te dizer, isto é, nada. já lá vão algumas palavras, é verdade, mas até para nada se dizer é preciso gastar tinta e tempo, uns instantes, como aqueles em que parei a olhar para ti e me parece que decorreram muitas e belas vidas inteiras. quando assim é, não podem os dias, cheios de enfadonhos minutos , alcançar o momento em que o pássaro volta e o voo se parece com o estremecer dos teus lábios e por essa razão não podem os dias nada e muito menos os meses e os anos e os meus medos, e saltou-me outra vez a mão do esquadro, é da porcaria desta mesa que não é uniforme ou então é o esquadro que tem defeito. dizia eu que não podem os dias nada e agradeço-te por nada teres dito enquanto me ouviste a querer dizer-te mais do que sou capaz e sempre menos do que me exijo quando pressinto os teus pássaros em pleno e desconcertante voo. se soubesses, se soubesses como é implacavelmente tarde. mas as tuas metáforas são outras e pegas contente nos óculos por pensares que estará sol e que me poderias quebrar o esquadro com versos se alguma vez entrássemos em guerra aberta pelo meio dos dias subitamente coincidentes com o sul para onde vão os pássaros, esse sul que tu conheces incertamente bem, como eu. é mesmo implacavelmente tarde, deveria ter parado ali a carta, não há nada mais forte do que um advérbio bem colocado mas, não o fiz e lá deixei a mão vagar um pouco mais, nada mais que um pouco que diminui, vai diminuindo, até acabar.
como papel
como mar
como mar
segunda-feira, 9 de julho de 2012
num restaurante à beira-mar plantado
hoje, o estufado é diferente
pedimos desculpa mas o Coelho comeu
as batatas, as cenouras e as couves
que estufavam juntamente com ele
hoje, talvez seja
batatas, cenouras, couves no Coelho
tudo bem estufado, isso não mudou
hoje, e excepcionalmente por ser hoje,
pedimos desculpas mas a panela comeu
o Coelho com as batatas as cenouras e as couves
que estufavam já dentro dele
hoje, talvez seja
lume vivo debaixo das vossas mãos
tudo bem justificado, isso não mudou
a-paguem
e voltem sempre
domingo, 8 de julho de 2012
sexta-feira, 6 de julho de 2012
poema para Caeiro
a primavera veio entretanto
e olhando para trás espanta-se
com a falta que lhe faz não estarmos
para contar a história da flor por nascer
para contar a história da flor por nascer
segunda-feira, 18 de junho de 2012
dez
cinco sílabas
se as contássemos
duas mãos
que seriam quatro
e uma só
se as tivéssemos
amealho sonhos
num cofre de pedra
cubro as dívidas
com o ouro da mina
sem mapa nem terra
troco pão e água
por um pouco de chão
onde te possas sentar
a contar palavras
das sílabas
cuido eu
se as contássemos
duas mãos
que seriam quatro
e uma só
se as tivéssemos
amealho sonhos
num cofre de pedra
cubro as dívidas
com o ouro da mina
sem mapa nem terra
troco pão e água
por um pouco de chão
onde te possas sentar
a contar palavras
das sílabas
cuido eu
quarta-feira, 13 de junho de 2012
post-it
enquanto acho e procuro
e por esta exacta ordem
uma cadeira onde sentar
o espanto da Beatriz Alice
enquanto acho e procuro
ainda pela mesma ordem
uma moldura conivente com
sombras de terra e de sol
enquanto isso
enquanto tudo isto
com a cadeira já arrumada
e a moldura desfeita pelo vento
vem um dia lá mais para a frente
dizer-me que alguém ainda
se lembra
domingo, 10 de junho de 2012
dez e meio de junho de dois mil e doze
que farei deste dia, José?
as tágides não forjam espadas
e o ferro tem hoje caminho curto
acabada a tinta que o fez correr mundo
a revelar manhãs ao azul profundo
farei talvez o almoço
com os cravinhos-da-memória
em lume espevitadamente sereno
és servido
terça-feira, 5 de junho de 2012
segunda-feira, 28 de maio de 2012
o lado esquerdo
situemo-nos
encontremos uma rua
fios que atravessam o passeio
e um homem soberbamente distraído
depois, continuemos nessa mesma rua larga
e um pouco mais acima por volta do meio-dia
reconheçamos a mulher que tropeça todos os dias
nos mesmíssimos fios que nenhuma mão teceu
despojos de um deus-menino-homem
sobras vivas que o destino ignora
sonho soberbamente atento
à sua própria queda
estamos no lado esquerdo
de uma mesma rua
encontremos uma rua
fios que atravessam o passeio
e um homem soberbamente distraído
depois, continuemos nessa mesma rua larga
e um pouco mais acima por volta do meio-dia
reconheçamos a mulher que tropeça todos os dias
nos mesmíssimos fios que nenhuma mão teceu
despojos de um deus-menino-homem
sobras vivas que o destino ignora
sonho soberbamente atento
à sua própria queda
estamos no lado esquerdo
de uma mesma rua
terça-feira, 22 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
incredulità
disse-me Tomé que sempre acreditara
que sabia sem sombra de dúvida
que o assombro não era de fé
mas de carne, sangue e amor
Ele, ali, aberto
Ele, ali, aberto
incredulità!
gritou
disse Tomé que não tocou
gritou
disse Tomé que não tocou
que fechou os olhos
e Ele entrou
eis o mistério
esse sim
totalmente impenetrável
deus maior de humana mão
esse sim
totalmente impenetrável
deus maior de humana mão
domingo, 6 de maio de 2012
evidências
não há segredo nem explicação
as coisas são o que são:
todos os sentidos
mais a incompreensão
e talvez o esplendor do amor
basta um sopro de terra
o assomo da manhã
o cheiro húmido
do azul
basta um ou outro som
podem ser palavras
canções de lavra e fome
canções que transbordam
de lábios cheios
basta um eco devolvido
e entregue em mãos
e pelo meio as montanhas
e os desfiladeiros abismais
e o caminho que há-de chegar
basta ouvir o silêncio que há
quando não há mais nada a esconder
sábado, 5 de maio de 2012
cicadidae
rasa o chão
trepa lentamente pelas ervas
abraça-se a um tronco
e toma a terra toda
numa evidência
equidistante
baque longo
e quente
baque longo
e quente
o canto
ouve
sábado, 21 de abril de 2012
il y aura des conséquences
ce pas inévitable apportera
encore d'autres
un petit pas sans métaphore
un pas pour aller chercher du pain
aucune métaphore, juste un couloir
la cuisine dans l'ombre, l'armoire
et le beurre et moi soudain
dans tes pensées
et alors
et alors
ces autres pas deviennent le premier
chacun à la fois dans le désordre
le plus complet
comment te dire
l'ombre et ce parcours,
ce désir soudain,
comme avant
toi et ce pain que je coupe
et qui t'appartient
ton corps qui se lève
ton corps que je vois d'ici
de cette fenêtre impossible
de cette maison invisible
de mes yeux d'ombre
et de faim
tes pas en avant
puisque tu vas simplement
chercher du pain!
me longent
m'oublient
me tuent
je finis de manger
il y a des traces de beurre
sur tes lèvres
ce pas inévitable apportera
encore d'autres
un petit pas sans métaphore
un pas pour aller chercher du pain
aucune métaphore, juste un couloir
la cuisine dans l'ombre, l'armoire
et le beurre et moi soudain
dans tes pensées
et alors
et alors
ces autres pas deviennent le premier
chacun à la fois dans le désordre
le plus complet
comment te dire
l'ombre et ce parcours,
ce désir soudain,
comme avant
toi et ce pain que je coupe
et qui t'appartient
ton corps qui se lève
ton corps que je vois d'ici
de cette fenêtre impossible
de cette maison invisible
de mes yeux d'ombre
et de faim
tes pas en avant
puisque tu vas simplement
chercher du pain!
me longent
m'oublient
me tuent
je finis de manger
il y a des traces de beurre
sur tes lèvres
terça-feira, 17 de abril de 2012
terça-feira, 3 de abril de 2012
sábado, 31 de março de 2012
los caminos
je ferme la porte et je m'éloigne
je ressens chacune de tes courbes de ce côté
je sais comment tes seins s'insurgent contre le bois
je sais comment tes yeux me croient l'océan
je connais tes fleuves et tes coins
je marche
je les allumerais volontiers rien que pour voir cet éclipse hors temps
je les bâtirais avec tout mon silence pour le regard qui habite tout ton corps
et je finirais par t'oublier à chaque instant pour ainsi t'aimer
finalement
quinta-feira, 29 de março de 2012
dimensões
hesito em dizer a tua altura
os palmos que construo no ar
conhecem o silêncio das raízes
e quando abro impossivelmente os braços
cresces como a margem de um rio pequeno
que atravesso sempre ao entardecer
antes que a noite tudo confunda
a tua altura talvez seja
as pegadas que vou deixando na terra molhada
os frutos que vou colhendo das árvores
e o momento em que os abro e amo
a tua altura é ser dia
e estarmos nele
quarta-feira, 28 de março de 2012
a descer, todos os anjos
é apenas uma ponte agradável envolta em sombras solarengas e degraus cordatos
um pequeno trajecto em arco entre uma e outra margem
são apenas passos mais ou menos longos consoante
a demora da pedra à nossa passagem
o anjo apenas ajuda a subir
para melhor nos ver cair
terça-feira, 27 de março de 2012
le soir
je n'allume pas
il y a des choses que la lumière doit ignorer, comme
le morceau de pomme que l'oiseau a laissé tomber
(qui s'attend à un cadeau des dieux?)
je n'allume pas
il y a des choses que seule l'obscurité peut bercer, comme
l'ondulation de deux corps sur un même chemin
(qui s'attend à la circumnavigation de nos pas?)
j'allume le soleil de la veille
et celui de demain
le matin viendra
sexta-feira, 9 de março de 2012
hábil, o louco no trapézio
não tem rede nem chão
não teme a gravidade
ama só a ilusão
caiu, sim, e agora
definitivamente
dizem,
hábeis na ironia,
os vazios e sentados
os que pagam bilhete
para sentir sangue alheio
nunca fui ver o louco no trapézio
bastavam-me os seus olhos de marinheiro
e as mãos abertas a tocar o balanço das cordas:
último impulso, homem ao mar!
maré a chegar, manhã, amar
pisei o chão com força e descrevi-lhe
os círculos que em fogo via
e dentro ergui-te o rosto
com dedos-cordas
mãos de amar
passas ao longe e eu
conto-te em histórias
de ninguém acreditar
salvo-me
sábado, 18 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
viajador
afiando a faca na pele
vejamos de que são feitas
as veias que correm na metáfora
sintamos no cabo da sensação a dor
que se esvai em branco pudor
a metáfora perfeita é aquela
de que não se regressa,
corte sempre inaugural
o da última metáfora
o do rebordo finíssimo
do teu silêncio
que corre por mim
vendo de que é feito o corte
esvaindo-se no branco pudor
da noite, de não estares
pouso real a faca
vejo de novo
a mão
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
l'âge du jardinier
ce qui ne dure pas
ce qui est perdu
ce qui est fini
tout cela
c'est très bien
c'est la matière de la vie
passez, passez si vous voulez
mais ne touchez pas aux fleurs!
je vous prie de ne pas
abîmer les roses
avec le temps
qui n'est pas
le leur
rangez-vous comme vous voulez
dans une commode, pour ne pas déborder
portez votre esprit comme un parapluie
soyez sages comme un soupir
aussitôt avalé
passez, passez votre chemin mais
ne touchez pas aux roses!
vous seriez capables
de me dire exactement
le nombre de pas qu'il faut
pour dire adieu
et vous prendriez une rose
pour l'exemplifier!
non, ne touchez pas aux roses
on n'y trouve que le soleil
l'aube d'un regard
souvent noir
toda mi vida
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Un
le titre de ce tango?
la traduction?
soy feliz en tus brazos
les paroles?
sí, soy feliz en tus brazos
la traduction?
la vie n'est pas un tango
mon interprétation?
cántame un tango
habeas corpus
não temos fotografias de dois lados da mesma cor
nem cartas com impressões de fogo
nem mesmo pequenos objectos
esquecidos
fáceis de substituir
como hóspedes
não havendo provas documentais
este crime fica
por provar
mais se diria
se mais houvesse a dizer
que este tribunal não aceita
batimentos cardíacos
pássaros roubados a poetas
tentativas de prolongamento
absolutamente proscritas!
de um momento
indefinível
nem nada
que não seja de natureza verificável
como as pedras, os montes e a refeição
comum no calendário estabelecido
ontem-hoje-amanhã
dias bem contados
e mais ainda se diria que este tribunal
não está sujeito a interferências
divinas ou
panteístas ou
animistas ou
poéticas,
poéticas!
os deuses que nunca o foram
não terão assento entre nós
este tribunal decreta a execução imediata
dos rumores que lavram in petto
a perdição da normalidade
faça-se.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Para Wislawa
ao saber que foi o mais longo dos sonos que te levou
hesito, não durmo, espero que amanhã chegue e que me diga
que afinal hoje não se morre de amor nem de pena nem de nada
que não seja apenas ser noite e fazer um sinal cansado ao barqueiro
que se aproxima devagar e leva sem um rumor a passageira finalmente
adormecida
domingo, 29 de janeiro de 2012
Un
quand ce temps se termine
les dieux arrachent les flèches
encore vibrantes
elles ont servi
ah, elles ont bien servi!
et les plongent là
là où se trouve le marbre
parfait de l'immortalité
ils s'ouvrent ainsi
ils s'ouvrent complètement
à la foule blessée
de mon cœur
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
para G.
o dia para verso
querido que foi
de nascer
folheia os anos
vindos e por vir
detém-se na página
que não marca
que não dobra
pois o dia nascido
de um querer
sabe do tempo
o lugar
sábado, 14 de janeiro de 2012
Un
d'après l'oiseau qui a suivi mes pas
intrigué par cette terre, par
ce vol ancré dans le mystère
de la gravité amoureuse,
le vent le serre trop
les ailes lui pèsent
la chute viendra
et il apprendra
enfin!
la lenteur
de la joie
diário
a partir de amanhã
choverá sempre
sairei apenas
se passares
para ver se chove
ainda ou se apenas
amanhece
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
s.d.
o tempo cabe todo aqui, o tempo, esse
indelével branqueador de existências
só não sei onde pôr os dalai lamas do momento
para que sejam finalmente felizes
Aqui e Agora,
3º Esq.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Para o Ademar, hoje e sempre
diz-lhe que volte
ainda que não cante
que passe discreto e só
perto do beiral onde estendo
a roupa que espera o vento e o sol
os mesmos que te levaram sem rasto
num dia de maio para um sul sem nome
diz-lhe que volte
ainda que não fique
por ser maré e não toda a praia
que traga nos olhos os beijos por dar
como verdades só dos poetas sentidas
as mesmas que conto nos grãos de areia contida
uma a uma e depois todas um dia juntas contigo
diz-lhe que está.
*Ademar Ferreira dos Santos: 09/12/1952
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Alaudidae*
de manhã cedo, antes do mundo
vem pela margem uma cotovia
vem acordar o rio
e num cantar atento
deixa que as águas levem
as novas dos sete dias
do mês de dezembro
* Para a María Alonso Seisdedos,
em dia de aniversário
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