terça-feira, 12 de março de 2013

poema para bocas caladas

marca encontro com o momento
e diz-lhe, diz-lhe! que estarás tu
em vez do esquecimento

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

clepsidra para um louco

já contei todos os minutos que hoje
passaram. contei-os um a um, 
com cuidado e método,
com toda a atenção 
não fosse algum 
perder-se
estão todos
nenhum se perdeu
nenhum se precipitou
para o minuto seguinte
tudo está na ordem de vida

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Para Laetitia

fica sempre mais além esse azul do longe
que perto sempre ronda os teus olhos

na curva de amanhã, o dia revelará 
o império simples da mais esquecida alegria 
matar sede com água, matar estrelas sonhando

as mãos que trazem a água e o passeio de ver as estrelas
são ainda ponte e estrada e também elas têm longe
em todos os outros azuis por achar

mas é no sítio sem perto nem longe
que acaba o dia em roda eterna 
sempre

sábado, 2 de fevereiro de 2013

inclinação

por vezes
abre-se o chão que parecia inteiro
na vertigem que o cobre sempre

domingo, 27 de janeiro de 2013

do individualismo

é da mais profunda liberdade ir o dono do castelo viver debaixo das estrelas
e assim descobrir que elas morreram há muito no céu da cidade grande
deixando pelo caminho a luz que já não chega, que já não há
é livre de se apossar do chão em que todos cospem
de dizer o que bem quer para ninguém
é livre de todos os seus movimentos
entre hoje e amanhã, o plano é
não morrer ou
não matar

é da mais óbvia liberdade regressar o dono do castelo a sua casa




l'envol

je connais très bien l'histoire de l'oiseau qui volait
et je vais te la raconter mais il faudra rester assise
ne pas prendre les ailes de mon oiseau pour les miennes
ne pas vouloir déposer sur mes lèvres le goût du miel ailé  
ne jamais me demander de nommer cet envol puisque
ce n'est qu'un bel oiseau et sa nature dans
des phrases bien tournées et structurées
un vocabulaire précis
des mots choisis
réfléchis 

dans mon histoire, il n'y aura pas de ciel au sud ni de vallée
dont le soupçon attire le vertige au bout des doigts
il n'y aura pas la fraîcheur surprenante des rivières
ni le débordement titillant des fleurs
il y aura un oiseau et son vol
un oiseau libre 
un oiseau.





sábado, 26 de janeiro de 2013

saturnália

a coincidência nada esconde a não ser as mãos que atam
duas e distintas pontas de desencontrados fios

juntam-se deuses e espíritos e todas as coisas primeiras
mas nada podem contra as mãos que assim tocam
nos irremediáveis fios que ali se encontram

são talvez frutos de uma videira amada
porque dela bebemos e comemos

são talvez os frutos amargos de Saturno
que devagar devoramos

são todas as mãos que semeiam e colhem
que guardam e servem e o balcão onde seguros 
celebramos a eternidade absoluta desse entrelaçar

a minha mão na tua nada esconde, nem sequer
o nó que só a pele dos dias conhece
ouro, vinho e mel

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

a dívida do trovador

partiu sem talvez saber
que nesse amor falhado
que nesse sonho findo
ficámos a haver
aquilo que é lindo

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

a queda

de cada vez que ícaro cai desamparado e forte
nas águas muito azuis da dor, os olhos cheios de luz
alguém que placidamente passava se espanta impaciente
e a mão que outrora atirava flores ao mar num impulso de semeador 
que delas colhia sustento abundante para desfolhar os mistérios mais fechados
fecha-se na certeza da pequena pedra que as águas abandonaram e que não necessita
alimento

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

na ilha

pertencemos ao tempo
e com ele aprendemos
a espantosa liberdade
do instante seguinte

por isso nos despimos devagar
por isso vivemos a comoção do gesto que quer dizer o antes
por isso saboreamos o alento descompassado de quem perde o pé em mar próprio

e o grito absurdo que se nos segue é ainda e sempre antes de tudo
e a maré veio mais uma vez confirmar
que naufragámos e nos recolhemos
nos braços seguros da ilha

não temos nome para nada
a ilha é desconhecida

como os teus olhos sob a sombra de uma dúvida nova
como os meus olhos que não sabem deixar de olhar para os teus
nunca os vi, como são, o que dizem, que cores tomam sob os teus que agora
me respondem?

pertencemos ao tempo
e nele nascemos





mise en abyme


coube o quadrado dentro do círculo
e sucederam-se até sobrar apenas um ponto
que é a vertigem de já não poder haver nada

fizeram-se cálculos e somaram-se impossibilidades
as portas abertas davam sempre para o negro infinito 

investigaram-se os espaços vazios e a tinta resvalada
procurou-se no aparo finíssimo do pensamento 
a impossível densidade

encontrou-se apenas e sempre
vertigem e nada

inventou-se então o amor
e saímos

 

a gota

nas formas que toma o vinho quando nos lábios desenha os rios que não subimos
corre o dia em que nasce o fogo que espezinhamos como se fosse já cinza dormida
mas ele de tão redondo, e elas de tão cheias, tomam-nos a mão que segura o copo e
brindam-nos a sorte de todas as coisas que fogem livres da capacidade máxima
da borda 

sábado, 19 de janeiro de 2013

para G. em dia de aniversário

e assim foi a travessia no silente frio branco
de uma imensa planície nocturna
trilho de luz íntima e cor nua
como se ao corpo fosse dado 
um coração-mapa 
um coração-guardião
como se à mão que  nele se apoia
fosse dado o segredo mais calado 
e os anos fossem apenas o piscar de olhos
de uma coruja velamente distraída
pelo passo redondo da valsa







    


quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

poema para Lorenz

a borboleta regressou incólume do Texas
para pousar na haste improvável da minha mão 

o rebordo do copo trémulo rasgou levemente os lábios 
este é o sangue mil vezes derramado em mim

o silêncio fundo das palavras foi caindo sobre as coisas
e disse cacho em vez de amor, vide em vez de dor

o final da noite voltou e com ele trouxe a manhã
abre-se o casulo infinito algures no Brasil






quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

rota


da viagem, trouxemos dois cravinhos-da-índia
e a muita luz que os olhos não sabem disfarçar
quando embarcados se deixam naufragar

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

navegações


e se como Ulisses fundássemos Lisboa
a que porto nos levariam os dias



sábado, 15 de dezembro de 2012

tango nosso

tango imenso esse negro tango nosso
abrem-se cercas e lentas planícies
para que colhamos sem pejo
as flores que afogam os rios
nas gargantas emudecidas

fero e negro tango de não volver
ao tempo em que temos ainda
vinte anos para perder
em flores que desfolhamos
no acaso conjunto dos dias

tango nosso esse baque surdo
que cala a nua e negra terra 
e do eco longo e fundo
faz-se de um tempo
mundo




quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

cartografia


depois do cabo da terra
fica o fim do medo
dobramo-lo

chegamos ao outro lado
sem compasso nem glória
por globo os nossos olhos
madrugados

arredondamos os dedos
e buscamos na manhã
o último fio de mar
dobramo-lo

passamos embarcados
pelas ilhas do cabo do sonho
aonde se pode enfim amarar
madrugadas

depois do cabo do mar
fica o fim do medo
amaramo-nos


sábado, 8 de dezembro de 2012

Para o Ademar

dois anos depois
percorro as margens do rio
e sento-me com todos os sinais de ti
que passas sempre, diz-me a corrente
que estás perto, diz-me o vento
que chegas, diz-me a terra
e eu respondo com palavras
que talvez conheças
l'amour autrement
e talvez te ouça
quando rindo clamas 
que é todo o mesmo!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Para a María

sobre um fundo cinzento
a asa voa mais rubra
perto vaga,
perto vem,
pousando aqui
corpo de manhã livre
pousando além
corpo de dia inteiro

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

beira de mar

estranhas quando as minhas mãos te servem de búzio
ouve-lo de olhos postos nas ondas que parecem chegar
marés ainda brandas que despojam se perto andam
estranhas que os dedos se abram ao vento
e se deixem levar até serem rumores
que como marés despojam
porque perto andam


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

distância

há quem cante canção alheia
para melhor calar a sua 
isto diz quem ouve 
o que nela soa 
em peito seu

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

a tecla

convenceu o suicida a poupar ainda algum tempo
para o solo de piano que o arrebataria 
rasgo de momento antes da queda
voo altíssimo para lá do chão
aonde tocam agora rasas
as mãos

domingo, 28 de outubro de 2012

2x4

esta mesa é quadrada ou talvez
quatro bordas de infinito
fosse mais exacto

é necessário que venhas
que a meças com as mãos nuas

é preciso que saibas
quanto medem as palmas
quando estão inteiramente abertas

e que espaço vai tomando
a oscilação dos dedos 
quando estremecem
junto aos meus

só então saberás
em exactas pulsações
da imensidão desta roda

sentemo-nos

domingo, 21 de outubro de 2012

para ti

são muitas as formas que tomas
sem que nelas possas durar

já ruiu a casa 
já desabou a mão temente
nenhuma sombra
nenhum possível

onde é que te gravei a voz
que te ouço sem me ver

onde é que te guardaste
os gestos no corpo, onde estão
que te dispo tão longe das minhas mãos

leva-me ao momento exacto da partida
da moldura breve do teu rosto faço
plano mais lento que a vida
abrem ainda as portas

leva-me ao sítio exacto em que me deixaste
que também se colhe do nada
pão, corpo e semente

são muitas as formas que tomo
sem que nelas possa durar
  

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

o barco

escondem-se as minhas penas
por detrás dos teus olhos cuidadores
e é dali que me espreitam uma ou outra vez
e é dali que são quase belas dentro desses azuis
a que chamas por meus lábios o mar dos teus olhos



quarta-feira, 17 de outubro de 2012

cantiga

no voltar da saia
vi o rubro outono 
no teu rosto bailar

se chega o inverno
hemos de nele
maio atear

domingo, 14 de outubro de 2012

a saia verde

reconheces-me as mãos
no volteio da linha
nos remendos que crescem
neles reconheces a saia 
ondeia em voltas novas
novas de teus olhos amadas
ainda que nos rasgue o tempo
ainda que não mais bailemos
é verde e nova, a saia

mais tarde

vem um momento e não anuncia
que traz o esquecimento
toma forma e alento
e por mim diz
que passou


terça-feira, 9 de outubro de 2012

do vocabulário

nunca se despedaçou
porque não conhecia
o verbo


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Um


para desmaio de todos os deuses
sombra alguma sol algum
nos atravessou o peito 
este lugar de culto
é inviolável


terça-feira, 2 de outubro de 2012

do esplendor

acontece algumas vezes
em pleno decurso de vida normal
que as asas madrepérola de insecto
que entretanto tivesse pousado sem pressa
compreendam na perfeição o olhar que as deixa viver



perspectiva

alcançava nesse dia a vista muito mais do que era costume
debaixo dos telhados de prata, alguém reparou no friso quieto
era gente lá longe na colina, gente indistinta e tão pequena
que seria impossível dizer se alguém calava um olhar

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

o labirinto

dobando o fio, contou teseu a façanha
o único golpe,
a amada longa fama futura

dobava devagar, enternecidamente
amando já o temível monstro
que ao morrer o consagrara
e dobando, do labirinto contou:
esquinas afiadas, carnívoras!
sombras vindas do fim do tempo,
ecos de torturas infindáveis,
e finalmente a besta, o medo
e o único golpe,
implacável

dobado já todo o fio,
pousou o novelo refeito
nas mãos crédulas de ariadne
e embarcou sereno no mesmo mar
que nessa noite receberia o fio que ariadne foi deitar

desfê-lo devagar, amorosamente
contando o que sabia da longa dor presente
esquinas afiadas e carnívoras
sombras do fim do tempo
ecos infindáveis
o golpe lento do medo
a partida das negras velas
a partida incessante das negras velas

desfeito já o fio
desunidas as pontas
pôde ariadne embarcar

façanha maior que o mar

sábado, 15 de setembro de 2012

15 de Setembro

sairam para dar nome ao tempo
que passa lento e curioso
que gente será esta
que assim sonha?


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

a cama

a vertigem é a vontade inadiável da terra
deitados, vemos melhor os pássaros


quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Un

rationnons l'éternité en
pedazos de hambre


terça-feira, 11 de setembro de 2012

rsvp

desmerece o verso a pulsação
que realmente segura a mão?

domingo, 9 de setembro de 2012

les marins sans quart

cela ne tient pas
je te démontre
voici du sable
il s'écoule
il s'en va
voilà,
rien!
c'est simple
je t'ai montré
comment il s'en va
tu le retournes mais
cela ne tiendra pas
car il s'écoule
et il s'en va
et si je le retourne
si de mes mains je le fais
que crois-tu! qu'on tiendra
qu'on ne s'écroulera pas?

regardons-le ensemble
à la fin tu me diras
à la fin je te dirai
si jamais

la vague




interiores

fechou-se sem alaridos num jardim aprazível
tratou das flores e dos espinhos
cuidou que houvesse muito sol
e alguma chuva
paz contente
paz contente
paz contente

aqui e além
uma ou outra vez
um voo supreendente
que bela sombra, o que será?

e antes que a sombra com o sol o dia jogasse
e antes que a álea com o voo a vertigem tomasse
fechou-se sem alaridos numa casa aprazível
e correu as cortinas todas até ao fim


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

a relíquia

raspando um pouco
sai a tinta e vê-se o barro
ambos são autênticos

raspando o barro
vê-se a mão

essa que mata
amando


terça-feira, 4 de setembro de 2012

nudez

pouso a misteriosa partitura sobre os joelhos
passa mais devagar o tempo assim desconcertado

da necessidade

podendo ser de todas e infinitas maneiras
não pôde ser de nenhuma outra
será assim a beleza?
certa é a maneira minha da beleza tua
como certo é o mundo que nela navega
será assim o amor

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

verso velejador

cesse tudo menos o instante da partida





segunda-feira, 13 de agosto de 2012

postal ilustrado

as noites em que te chamo o olhar
não têm nome nem data
como sabes
é irrelevante ser domingo
ou estarmos no ano em que fomos
felizes

domingo, 15 de julho de 2012

poema para Campos

o que farão da tua vida mais uma vez assim disposta
dessa maneira gentil de existir sempre tanto
e de não caber em nenhum rosto
a arca abre-se ainda e 
no fundo, procurando bem
está o papel de folha de estanho 
que embrulhou outrora o chocolate desamparado

também a vejo daqui, a pequena suja,
já acabou de comer o chocolate e alisou o papel de prata
para nele confeita poder escrever :
tenho fome

vou à janela e passo eu.


quinta-feira, 12 de julho de 2012

jangada de papel

deixo-te esta carta para te dizer que nada tenho a dizer que valesse a pena ser dito. as coisas são o que são, a vida é o que é e eu não fujo a esta régua nem a este esquadro, que aliás usava com gosto em criança, sonhando uma vez ou outra com formas mais dúcteis e comestíveis. não vou abrir aqui nenhum baú porque não tenho baús, já esqueci quase tudo o que não valia a pena lembrar e pouco vale a pena lembrar, talvez só    aquela vez em que a mão me escapou e do ângulo imperfeito do esquadro me saiu um pássaro que voou imensamente assustado e tremendamente maravilhado por cima das nossas cabeças. da tua e da minha, já não era eu muito criança, nem tu, e ele era novo e verde e laranja. mas sabes, a vantagem do esquadro é que ele não deixa fugir por muito tempo a mão dos noventa graus que estão sempre certos, desde que a mão não saia do ponto da verdade. a desvantagem, dirias tu, se eu te ouvisse em mim, é que o infinito começa nesses noventa graus, mas eu não te ouço, tens sorte. deixemos de lado este esquadro, antes que te lembres dos cento e oitenta graus da utopia amorosa, sigo naquilo que tenho para te dizer, isto é, nada. já lá vão algumas palavras, é verdade, mas até para nada se dizer é preciso gastar tinta e tempo, uns instantes, como aqueles em que parei a olhar para ti e me parece que decorreram muitas e belas vidas inteiras. quando assim é, não podem os dias, cheios de enfadonhos minutos , alcançar o momento em que o pássaro volta e o voo se parece com o estremecer dos teus lábios e por essa razão não podem os dias nada e muito menos os meses e os anos e os meus medos, e saltou-me outra vez a mão do esquadro, é da porcaria desta mesa que não é uniforme ou então é o esquadro que tem defeito. dizia eu que não podem os dias nada e agradeço-te por nada teres dito enquanto me ouviste a querer dizer-te mais do que sou capaz e sempre menos do que me exijo quando pressinto os teus pássaros em pleno e desconcertante voo. se soubesses, se soubesses como é implacavelmente tarde. mas as tuas metáforas são outras e pegas contente nos óculos por pensares que estará sol e que me poderias quebrar o esquadro com versos se alguma vez entrássemos em guerra aberta pelo meio dos dias subitamente coincidentes com o sul para onde vão os pássaros, esse sul que tu conheces incertamente bem, como eu. é mesmo implacavelmente tarde, deveria ter parado ali a carta, não há nada mais forte do que um advérbio bem colocado mas, não o fiz e lá deixei a mão vagar um pouco mais, nada mais que um pouco que diminui, vai diminuindo, até acabar.
como papel
como mar

segunda-feira, 9 de julho de 2012

num restaurante à beira-mar plantado

hoje, o estufado é diferente
pedimos desculpa mas o Coelho comeu 
as batatas, as cenouras e as couves 
que estufavam juntamente com ele 
hoje, talvez seja
batatas, cenouras, couves no Coelho
tudo bem estufado, isso não mudou

hoje, e excepcionalmente por ser hoje,
pedimos desculpas mas a panela comeu 
o Coelho com as batatas as cenouras e as couves
que estufavam já dentro dele
hoje, talvez seja
lume vivo debaixo das vossas mãos
tudo bem justificado, isso não mudou

a-paguem 
e voltem sempre


domingo, 8 de julho de 2012



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sexta-feira, 6 de julho de 2012

poema para Caeiro


a primavera veio entretanto
e olhando para trás espanta-se
com a falta que lhe faz não estarmos
para contar a história da flor por nascer